8 de maio

Semana de Design de Milão

O que a Semana de Design de Milão 2026 revela sobre o futuro da construção?

Todos os anos, Milão concentra uma das agendas mais influentes da indústria criativa global. Durante a Semana de Design, que reúne o Salone del Mobile Milano e uma série de eventos espalhados pela cidade italiana, marcas, estúdios e arquitetos apresentam ao mercado direções que, pouco a pouco, chegam à arquitetura e à construção civil.

Em abril, a CEO da Torresani Empreendimentos, Mariana Torresani, esteve no evento acompanhada pela equipe da VOO Arquitetura, parceira da incorporadora em projetos em Blumenau e no litoral catarinense. A presença conjunta revela uma parceria que ultrapassa a execução e se desenvolve também na troca de repertório, na observação compartilhada e na forma como ambos se debruçam sobre referências antes de transformá-las em projetos. Mais do que acompanhar tendências, trata-se de um processo contínuo de leitura e interpretação do que vem sendo produzido nos principais centros globais do design e em identificar aquilo que tende a permanecer e influenciar decisões nos próximos anos.

Nesse contexto, alguns pontos observados por Mariana e os profissionais da VOO ao longo da Semana de Design de Milão 2026 podem indicar mudanças concretas na forma de projetar e construir. Confira:

1. Materiais de alto desempenho com linguagem mais controlada
Ao longo da edição deste ano, o avanço de superfícies ultracompactas, laminados tecnológicos e novos compostos apareceu de forma recorrente em diferentes exposições. Trata-se de um movimento que já vem acontecendo e que aponta para materiais mais resistentes, com baixa manutenção e estabilidade ao longo do tempo, mas sem aparência excessivamente técnica. Na prática, isso aproxima desempenho e estética e impacta diretamente a especificação de fachadas, áreas comuns e interiores de alto padrão.

2. Integração entre mobiliário fixo e arquitetura desde a origem
Também se repetiu, em diferentes propostas, uma aproximação maior entre arquitetura e elementos tradicionalmente resolvidos em etapas posteriores, como cozinhas, marcenarias e sistemas embutidos. Em diversas colaborações entre arquitetos e indústria, esses componentes aparecem já integrados ao desenho do espaço. Esse tipo de abordagem tende a reduzir retrabalho, melhorar o nível de acabamento e elevar a consistência do produto final.

3. Iluminação como infraestrutura e não como complemento
A iluminação aparece cada vez mais incorporada à arquitetura, com soluções discretas, embutidas e tecnicamente mais precisas. Perfis lineares, sistemas integrados e controle digital foram recorrentes em diferentes ambientes ao longo da semana. Isso exige antecipação no projeto executivo e altera a forma como os espaços são concebidos desde o início, especialmente em empreendimentos que buscam maior sofisticação técnica.

4. Soluções acústicas incorporadas ao desenho dos espaços
Embora menos evidente do ponto de vista visual, o conforto acústico esteve presente em diversas soluções, com painéis, revestimentos e elementos construtivos já incorporados ao design. Esse movimento responde a uma demanda crescente por qualidade de uso e tende a ganhar relevância em projetos residenciais e corporativos, sobretudo em contextos urbanos mais densos.

5. Avanço consistente de biomateriais e alternativas ao convencional
O uso de biomateriais e alternativas ao convencional segue presente, especialmente nos circuitos mais experimentais da semana, com aplicações envolvendo micélio, resíduos orgânicos e processos de baixa emissão. Ainda não são materiais de larga escala na construção civil, mas indicam uma direção clara redução de impacto ambiental com desempenho técnico cada vez mais competitivo. É um tema que tende a migrar do experimental para o aplicável nos próximos anos.


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